Livro-carta
O material do aluno. Traz a seção da carta, a seção da narrativa e a seção de interação com o leitor. É personalizado com o nome do aluno e é o que ele leva para casa.
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Um programa de incentivo à leitura, à interpretação e à escrita que reúne três elementos simples — a carta, o folhetim e o mural — em uma ação continuada dentro da escola.
Diversos indicadores revelam a dificuldade dos alunos brasileiros no quesito competência em leitura. Relatórios do SAEB, do INAF e do PISA vêm apontando isso com clareza há décadas. E o desdobramento da ausência de competência em leitura se estende a uma competência conexa e complementar: a da produção textual.
Ao mesmo tempo, experiências pontuais, simples e de baixo investimento — as chamadas “soluções caseiras” — vêm sendo testadas em escolas públicas e privadas de todo o país, mostrando outra realidade sendo construída. O Livro-Carta-Mural nasce precisamente nessa interseção: entre as limitações macro do sistema educacional e as potencialidades micro da criatividade de gestores, técnicos e professores.
Como criar condições sustentáveis para que os alunos se tornem leitores e escritores competentes, de forma autônoma, com estímulos constantes que os motivem a ler e a escrever com prazer? Pergunta que organiza todo o Programa
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O programa foi desenhado a partir do diagnóstico do que costuma dar errado nas ações de incentivo à leitura:
A resposta do Livro-Carta-Mural é uma pedagogia centrada no aprendizado, em que se constrói junto com o aluno o tomar gosto pela leitura e pela escrita, apoiada na fruição, no prazer, na espontaneidade e na curiosidade.
O livro-carta é uma narrativa literária que se apropria de dois gêneros. Do folhetim — “fragmento de romance publicado em um jornal dia a dia, suscitando o interesse do leitor” — vem a publicação seriada, capítulo a capítulo, que mantém o desfecho em suspense. Foi dele que nasceu a novela televisiva.
Da carta — missiva ou epístola, também reconhecida como gênero literário — vem o contato direto, face a face, com o leitor. É a ele que o texto se dirige, claramente, em diálogo aberto.
No meio desse diálogo, o lúdico e o pedagógico se fundem sem que o leitor se dê conta. Aprende-se o significado de uma palavra nova em meio ao comentário do autor sobre um fato do dia anterior — sem forçar a situação, sem transformar a leitura em tarefa.
O material do aluno. Traz a seção da carta, a seção da narrativa e a seção de interação com o leitor. É personalizado com o nome do aluno e é o que ele leva para casa.
A narrativa seriada afixada no mural. O espaço de diálogo direto com o leitor é incorporado apenas ao material do aluno; no mural fica a história, aberta a toda a comunidade escolar.
As obras derivadas do livro-carta e do livro-no-mural pertencem simultaneamente às áreas literária e pedagógica. Como arte, provocam emoções, dão prazer, divertem e modificam a consciência-de-mundo do leitor. Como instrumento educativo, inserem-se na área da Pedagogia. As duas coisas ao mesmo tempo — e é essa a aposta do programa.
A ideia do mural nasceu do propósito de partilhar a leitura para além da sala de aula: com outros alunos, professores, técnicos e demais integrantes da comunidade escolar. No primeiro teste-piloto, essa partilha pública se mostrou tão exitosa quanto o gênero em si.
Há dois murais. O mural coletivo, no corredor, recebe a folha em formato A3 antes do início das aulas. O mural da sala de aula recebe a mesma folha em A4, complementarmente. O aluno interage com o texto antes mesmo de receber a sua folha personalizada.
No intervalo entre duas narrativas, o mural não fica vazio. Ele vira espaço de:
Registro das atividades, da escola, do bairro, das famílias.
Pesquisa dos alunos sobre um tema, traduzida em imagem e dado.
Um tema específico, com posições apresentadas por escrito.
Produção editorial coletiva feita pelos próprios alunos.
O mural pode ainda ser usado estrategicamente como elemento de captação de recursos, cobrindo boa parte dos custos de implementação. Na primeira experiência do programa, logotipos de patrocinadores foram estampados no próprio mural e no rodapé de cada folha-do-aluno.
Dois cuidados são obrigatórios nesse caso: garantir a total e isenta autonomia do programa, e escolher patrocinadores cujos produtos ou serviços tenham vínculo com a educação — ou que, na ausência dessa condição, não comercializem produtos considerados incompatíveis com o ambiente escolar. A decisão final é sempre da instituição escolar.
Ao longo do ano letivo, o programa prevê o trabalho com um conjunto de narrativas e de atividades-extras para o mural, além da adesão voluntária e crescente de alunos, pais e comunidade escolar e da ampliação dos empréstimos na biblioteca da escola. Para tornar os resultados visíveis, quatro produtos são previstos:
Categoria individual, ao final de cada história apresentada.
Categorias individual e em grupo, ao final de cada história.
Categoria em grupo, a cada bimestre.
Aberta ao público externo, podendo integrar-se à feira de cultura da escola.
Esses produtos podem desdobrar-se em coletâneas da produção textual dos alunos e no registro em vídeo dos concursos e da feira, para uso pedagógico posterior.
O público-alvo do programa é elástico: pode abranger alunos da educação infantil, do ensino fundamental ou do ensino médio, embora o material já criado e testado tenha foco no ensino fundamental. O programa também foi aplicado com jovens e adultos da EJA.
Como o programa integra alunos, professores, equipe pedagógica e família, os componentes da família de cada aluno — pais, mães, irmãos, tios, avós — são considerados extensão do público-alvo direto.
Há ainda um público-alvo indireto considerável. Na utilização do mural, constata-se um efeito contágio positivo: a leitura das histórias também é feita, espontaneamente, por alunos de outras séries e por funcionários das diversas áreas da escola.
Primeiro esboço do formato livro-carta, em uma carta que Abel Sidney dirige ao próprio filho.
Publicação de Esboço da obra-da-vida-inteira, pela editora da Universidade Federal de Rondônia, ao qual se junta a primeira narrativa em livro-carta: As pernas curtas de Dona Mentira.
Lançamento de A Casa de Dona Dodô, no mesmo formato.
Primeiro teste-piloto do Livro-Carta-Mural, em setembro, na Escola Estadual Juscelino Kubitschek, em Porto Velho, com 570 alunos. A narrativa foi O menino e a palavra, em onze capítulos — um por dia no mural.
Novos pilotos em escolas estaduais e municipais, com aprimoramento do método.
Registro do programa em cartório, em 8 de fevereiro. No mesmo ano, quatro conjuntos de narrativas são elaborados como material de apoio em cursos semiprofissionalizantes do Senac-RO, com adolescentes em situação de risco social e grupos de mulheres do Programa Bolsa Família.
Primeiras experiências em escala maior, em cinco escolas municipais, ultrapassando dois mil alunos. O projeto ganha repercussão na imprensa regional.
Ano de maior surpresa: alunos do 1º e 2º anos, não incluídos no programa, protestam por acompanharem as narrativas apenas pelo mural, sem receber o material personalizado.
Terceiro ano de aplicação na rede pública municipal de Porto Velho: dez escolas e 3.500 alunos, do 3º ao 5º ano e na EJA.
Aplicação em quatorze escolas municipais de Porto Velho, com acompanhamento e avaliação da Divisão de Ensino Fundamental (Diefun) da Secretaria Municipal de Educação.
O programa torna-se objeto de dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Rondônia.
Neste ano, por meio da parceria Detran e Seduc, 26 mil alunos são atendidos nos municípios de Porto Velho, Ariquemes, Jaru e Cacoal. A temática da educação de trânsito é levada, em sua 5ª edição, às salas de aula, pela equipe do Livro-Carta-Mural, com o apoio dos professores.
Lançamento da plataforma per·cur·so, que leva os jogos de aprendizado do programa para o ambiente digital.
A metodologia descreve cada etapa, da reunião com a direção até a entrega da folha ao aluno depois do recreio.
Ver a metodologia