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Livro-Carta-Mural — incentivo à leitura, interpretação e escrita. Ler e escrever com prazer.

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Metodologia

Método é o conjunto de procedimentos. Metodologia é o corpo de diretrizes que orienta a ação. Aqui estão os dois: o que fundamenta o programa e o que se faz, na prática, todo dia.

Diretrizes conceituais

As diretrizes fornecem os princípios teóricos que orientam a condução das ações. São quatro:

  • Leitura e escrita de forma paradidática
    Com presença de componentes próprios do entretenimento e do lazer. O texto diverte antes de ensinar — e ensina porque diverte.
  • Interação e protagonismo do aluno
    Participação concreta em todas as etapas, de modo a criar espírito protagonista, ampliando a disposição para a iniciativa e a autonomia.
  • Transdisciplinaridade como eixo
    As práticas de leitura e escrita não se circunscrevem à Língua Portuguesa: perpassam todas as matérias escolares.
  • Formação continuada
    Gostos, hábitos e práticas só se consolidam a médio e longo prazo. O programa é desenhado para durar o ano letivo inteiro, e não para ser um evento.
Quem lê bem, escreve direito. Produção e leitura são atividades conexas, superpostas — o escritor atuante e o leitor interno são as duas faces do mesmo processo de aquisição de competência comunicativa. Base conceitual do programa, a partir de Sautchuk

Antes de começar: três etapas de preparação

A simplicidade de aplicação do método pode esconder a real necessidade de envolvimento dos professores e da equipe pedagógica. Para criar um ciclo virtuoso sustentável, três etapas antecedem a primeira história:

  • Apresentação aos mantenedores e gestores

    Apresentação do programa, do método e dos formatos livro-carta e livro-no-mural à direção e à mantenedora da instituição.

  • Reunião de trabalho com professores e técnicos

    Adequação do programa, do método e do formato ao planejamento pedagógico já existente na escola. Os professores passam por um treinamento que usa o próprio método livro-carta, com aplicação prática.

  • Envolvimento das famílias e demais atores

    Sensibilização de pais ou responsáveis e dos demais integrantes do meio escolar — funcionários da área administrativa, terceirizados, parceiros — cuja participação é indispensável para a sustentação das ações.


O método passo a passo

Depois da preparação, os procedimentos operacionais se repetem a cada dia de aplicação, na seguinte sequência:

  • Afixação do capítulo no mural

    A cada dia, um funcionário previamente indicado cola nos murais o capítulo da história: folha A3 no mural coletivo do corredor e folha A4 no mural da sala de aula. Recomenda-se que as folhas já estejam afixadas antes do início das aulas, para permitir a interação direta do aluno com o texto antes de receber a sua própria folha.

  • Entrega da folha-para-levar-para-casa

    O professor distribui a folha personalizada, com o nome que o aluno gosta de ser chamado. A entrega deve ocorrer logo após o recreio: experiências anteriores mostram que esse é o momento mais adequado, por acalmar os ânimos. A retomada da aula depois das atividades do livro-carta costuma ser mais produtiva.

  • Leitura do capítulo em sala

    Primeiro, cada aluno lê a sós ou em dupla com o colega vizinho, em voz baixa. Em seguida, pode-se fazer a leitura coletiva e/ou dramatizada, com alunos assumindo os papéis dos personagens, do escritor da carta e do narrador — atividade que o professor planeja com antecedência.

  • Produção textual

    A escrita surge ao longo dos capítulos, sobretudo na seção de interação com o leitor, chamada Brincando com as palavras. De pequenas frases a textos maiores, os desafios devem ser livres e facultativos, para que a atividade não se torne um exercício com fins didáticos sujeito à avaliação.

    O professor pode intervir e transformar um ou outro desafio em atividade dirigida — por exemplo, converter uma brincadeira sobre uma língua inventada em uma reportagem escrita pela turma.

  • Demais atividades possíveis

    Outras atividades, em sala ou em casa, podem ser propostas, respeitando-se sempre o espírito da espontaneidade, do desafio e do jogo. Essas possibilidades de intervenção lúdico-didática são debatidas previamente com os professores nas reuniões que antecedem a aplicação.

  • O mural entre uma história e outra

    Terminada a narrativa, há um intervalo de alguns dias em que o mural recebe exposições fotográficas, infográficos temáticos, debates ou jornais-murais produzidos pelos próprios alunos.

  • O livro, ao final

    A história em formato de livro é apresentada aos alunos apenas no encerramento de cada etapa. Vale destacar: o livro não é elemento indispensável, porque o aluno já levou a história inteira para casa, capítulo a capítulo — o conjunto de folhas é, em fascículo, o próprio livro dele.

Sala de aula com alunos lendo o capítulo do dia em suas carteiras
A leitura do capítulo em sala: primeiro em voz baixa, sozinho ou em dupla; depois, coletiva ou dramatizada.

Recursos necessários

Material fornecido

  • Folhas impressas com a história em A3 e A4, para os murais coletivo e de sala
  • Folhas impressas com a história em A4, personalizadas, para cada aluno
  • Folhas de atividades-extras — jogos e brincadeiras — quando houver
  • Guias de orientação para o professor, capítulo a capítulo

Material de suporte da escola

Os murais devem ser elaborados pela própria instituição, a partir de especificações técnicas fornecidas. É o único investimento físico do programa — e ele é permanente.


Para escolas

O programa foi pensado para caber na realidade da escola pública brasileira. Ele exige pouco recurso financeiro para ser implantado, porque trabalha com o pressuposto de que a família também dá sua cota de contribuição à educação dos filhos.

O que a escola precisa garantir

  1. Murais montados — um coletivo, no corredor, e um em cada sala participante.
  2. Um funcionário responsável pela afixação diária dos capítulos, antes das aulas.
  3. Professores que participem da formação inicial e das reuniões de acompanhamento.
  4. Um horário fixo na rotina: a entrega da folha logo depois do recreio.
  5. Um canal de comunicação com as famílias, desde o início do ano letivo.

O que a escola ganha

Uma ação continuada de leitura e escrita que atravessa o ano letivo e todas as disciplinas, sem depender de aquisição de acervo. Na experiência em Porto Velho, as escolas se incumbiram também de usar o programa como preparação para as avaliações de leitura e escrita e para a elevação do IDEB.

Baixar o Caderno de Orientação n.º 1 (PDF)


Para famílias

Família reunida em volta da mesa da sala lendo o material do programa
A folha do dia chega em casa com o nome da criança impresso — e a leitura vira assunto de mesa.

A família não é plateia do programa: é parte dele. Todo dia, a criança chega em casa com um capítulo novo, em uma folha que traz o nome dela impresso. E o capítulo termina no meio da tensão — o que costuma ser suficiente para que ela queira contar o que aconteceu.

Peça para ler em voz alta

Cinco minutos bastam. Ouvir a criança ler é a forma mais direta de dar valor ao que ela está fazendo.

Entre na brincadeira

Muitas atividades pedem entrevistas com pais, tios e avós — histórias de família, árvore genealógica, casos antigos. Responda com generosidade.

Guarde as folhas

Ao final da história, o conjunto de folhas é o livro do seu filho, com o nome dele em cada capítulo. Vale guardar.

Sabe-se, por dados da Unesco, que um dos fatores críticos para o hábito de leitura é ter nascido em uma família de leitores. Quando isso não acontece, cabe à escola fomentar as práticas — e o Livro-Carta-Mural existe justamente para levar essa prática de volta para dentro de casa.


Avaliação e resultados

Para evitar apreciações meramente subjetivas, o programa prevê pesquisa em duas etapas — intermediária e final, ao fim do 2º e do 4º bimestres — sobre a adesão voluntária de alunos, pais e comunidade escolar e sobre a ampliação dos empréstimos na biblioteca.

Além dos indicadores, há os episódios que o programa registrou ao longo dos anos e que dizem muito sobre o que está em jogo. Em 2010, dois alunos que caminhavam para a reprovação, segundo a professora, perceberam nos primeiros dias de trabalho com a narrativa Descobrindo a grande família que ficariam de fora da diversão, da expectativa do próximo capítulo e da interação com a própria família — e “pediram socorro”, reconhecendo suas limitações e onde queriam chegar para se equiparar aos colegas.

Ver a pesquisa acadêmica e os relatórios de aplicação →